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O paulista Fábio Gomes Ferreira e o norte-americano Mark Hunter Hagewood não dispensam uma boa amizade e tampouco uma grande oportunidade de negócio.

[pullquote align=”right”] “É uma briga de Davi e Golias. Mas acreditamos muito no produto que desenvolvemos.” [/pullquote]

Ao unir as duas coisas, eles fundaram a Nevoa Networks, primeira empresa brasileira a desenvolver um sistema virtual de armazenamento de dados, conhecido mundialmente como Storage Area Network (SAN). O SAN da Nevoa concorre com sistemas de grandes companhias do mercado de tecnologia da informação (TI) – como HP, IBM e Dell. “É uma briga de Davi e Golias”, reconhece Fábio. “Mas acreditamos muito no produto que desenvolvemos.”

Fábio e Hunter se conheceram na adolescência, quando moravam em Campinas (SP). Em comum tinham a simpatia pela área de sistemas de TI, interesse que os manteve em contato mesmo quando Hunter voltou aos Estados Unidos para se graduar em Computer Information Systems pela Universidade de Lipscomb.

Fábio se formou em Análise de Sistemas pela Universidade Paulista e abriu uma empresa de consultoria em TI. Entre os clientes, empresas do porte de Martins Atacadista, DPaschoal, Caterpillar e Camargo Corrêa. Com o trabalho de consultor teve o privilégio de ver de perto quais as demandas das empresas na área de TI.

Quando Hunter voltou a morar no Brasil, os dois decidiram trabalhar juntos no desenvolvimento de um SAN. A proposta era tornar a tecnologia acessível a empresas de qualquer tamanho. Em 2005 o projeto foi formalizado com a fundação da Nevoa.

Mas o grande salto aconteceu em 2008, quando a empresa recebeu uma subvenção da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Era o que Fábio e Hunter precisavam para acelerar o desenvolvimento da ferramenta. Nesse período, a solução foi testada em clientes como Sebrae, Rede Nacional de Pesquisa – RNP, Instituto Osvaldo Cruz e Centro Universitário de João Pessoa.

[pullquote align=”left”]“Nós tentamos aproveitar ao máximo os investimentos do cliente, enquanto grandes players fazem uma venda casada, obrigando a comprar o hardware deles junto com o software.”[/pullquote]

O resultado atingiu a meta. Fábio garante que tem condições de atender no mesmo patamar dos concorrentes e com um preço no mínimo 30% menor. Segundo ele, as soluções de grandes marcas têm em torno de 25 terabytes (10 milhões de megabytes) – espaço muito grande para médias empresas – e custam, no mínimo, R$ 1 milhão, sem contar a manutenção. “Nós tentamos aproveitar ao máximo os investimentos do cliente, enquanto grandes players fazem uma venda casada, obrigando a comprar o hardware deles junto com o software.” Ele conta que, recentemente, recebeu uma ligação de um empresário dizendo que se negava a comprar armazenamento sabendo que tinha espaço livre em seus computadores.

Com o sistema pronto, Fábio e Hunter chegam a um momento de incertezas. “A gente arou a terra, jogou a semente, cresceu, e agora seria o momento de colher os frutos, ou seja, entrar no mercado. E para isso precisamos de investimentos. Como as pessoas que estão passando próximas de nossa propriedade são dos Estados Unidos ou do Sudeste, eu estou voltando para São Paulo e Hunter para seu país de origem”, afirma Fábio. Em ritmo de negociações, os empreendedores já tiveram reuniões com empresas como UOL, Locaweb e Hitachi, esta última uma das grandes multinacionais da área de armazenamento.

Aberto a negociação

Fábio não descarta a possibilidade de venda da empresa. “Entre aceitar uma oferta de compra e ficar patinando, preferimos a primeira alternativa. Nessa hora, o que não podemos é perder o time-to-marketing. A tecnologia fica obsoleta muito rápido. Hoje, só a Nevoa faz esse tipo de software no Brasil. Mas até quando?”, questiona-se Fábio.

A Hitachi, por exemplo, é considerada um potencial comprador pelo fato de não ter um sistema de cloud computing. No ano passado, uma empresa norte-americana com a mesma abordagem da Nevoa foi adquirida pela NetApp. Para elas é mais barato comprar uma pequena empresa com uma solução já desenvolvida do que começar do zero.

Enquanto isso, Fábio e Hunter ativam seu networking para atrair investidores e clientes. Aliás, o case internacional da Nevoa é resultado de um contato profissional de Hunter. Quando um colega pesquisador soube que ele estava desenvolvendo a ferramenta, manifestou interesse em aplicá-la no consórcio REDDNet, um sistema de 700 terabytes acessados por estudiosos do mundo inteiro. “Hoje, quem mantém esse sistema nos Estados Unidos somos nós”, orgulha-se Fábio.

Outros dois colegas que fizeram parte do grupo original de desenvolvimento do sistema da Nevoa são os contatos comerciais da empresa na Europa.

Empreendedor desde a época da universidade, Fábio tem bons argumentos para continuar apostando no ofício de criar empresas. “A única vez em que fiquei sem trabalho foi quando decidi ser empregado”, conta o empresário. Ele trabalhava havia poucos meses na Lucent Technologies quando, em 2001, houve o ataque terrorista ao World Trade Center.

O fato desencadeou uma crise econômica que levou a muitas demissões. Fábio foi uma delas. “Fiquei três meses desempregado”, lembra. Mesmo assim ele prefere não antecipar planos profissionais caso a Nevoa venha a ser vendida. Mas uma coisa é certa: mantém ativa sua empresa de consultoria para não perder oportunidades.


Sobre a autora

[staff name=”Cléia Schmitz” position=”repórter na Editora Empreendedor”][/staff]

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